Musicalidade 1.2 – Corpo de Dança Nas Músicas Rápidas

Neste segundo texto sobre musicalidade, tentaremos trazer dicas para se dançar com um corpo de dança adequado às músicas mais rápidas.

Para termos um texto mais curto, não vou fazer as explicações introdutórias sobre o que é musicalidade e o que é corpo de dança. Caso você não tenha lido o texto: Musicalidade 1.1 – Corpo de Dança Nas Músicas Lentas leia pois estas informações estão contidas lá, e são fundamentais para compreender o conteúdo do presente texto.

Lembro aqui que neste artigo você vai encontrar dicas direcionadas somente ao corpo de dança, que é apenas uma das inúmeras partes do estudo da musicalidade.

Música Rápida

As músicas rápidas exigem uma grande vitalidade, disposição e altivez. A tentativa de expressar os sentimentos de euforia, eletricidade, animação, muito presentes em músicas com o andamento acelerado, normalmente nos leva a um estudo que se se encaixa perfeitamente com o estudo da eficiência técnica e agilidade.

Por várias oportunidades ao dar aulas de corpo de dança na música rápida eu ficava frustrado por achar que eu havia desviado do tema central da aula para explicar sobre eficiência. Até que um dia eu percebi que esse padrão não era uma coincidência e que estes dois estudos estão totalmente interligados.

Pausa

Nas músicas rápidas as pausas são curtas porém ainda existem, e cumprem um papel fundamental na preparação das próximas movimentações.

As músicas mais rápidas tendem a ter melodias menos sinuosas, ou seja, tendem a ser mais diretas, como um trem que nunca para. Portanto é interessante tentar fazer com que as movimentações no momento da pausa não demonstrem uma queda de energia e nem de engajamento com a dança. Condutores já devem se direcionar com rapidez para o local mais adequado para a próxima condução. Os conduzido já deve fazer a pausa em um desequilíbrio controlado, inclinando o corpo na direção da próxima movimentação para ajudar a combater a inércia da movimentação prévia e já tendo melhores condições de gerar bastante energia para o movimento seguinte.

Entendo que não é tão simples compreender certas partes do texto. Procure, portanto, um profissional da dança qualificado para poder esclarecer suas dúvidas. Muitas vezes informações parecem ser conflitantes e precisam de amadurecimento para poder fazer sentido, sem que uma coisa exclua a outra.

Existem também músicas rápidas que possuem constantes quebras, várias danças de salão dançam músicas com forte influencia do Hip Hop. Nestas músicas há cortes claros e constantes, obrigando os dançarinos  a quebrarem a fluência de cada movimento, sem quebrar, porém, a fluência da dança como um todo. Para fluir nessas músicas em que a pausa está presente, mas a música pede para que não haja movimentação, é preciso comprimir a função da pausa dentro do período de marcação. Ou seja O que era feito na pausa agora precisa ser feito um pouco antes e um pouco depois. E também é preciso retornar dessas paradas com bastante energia.

Transferência de Peso

Apesar de a primeira impressão ser de que, nas músicas rápidas, as transferências de peso sejam sempre abruptas, a gradação da transferência ainda é um ponto muito importante no que diz respeito ao controle, e sem controle não há musicalidade. Mesmo que de maneira rápida é interessante colocar o pé no chão sem peso e depois fazer a transferência do peso.

Há, porem, um detalhe muito importante. As transferências raramente são feitas de forma completa. Ou seja a ideia e ter o centro de gravidade sempre entre os dois pés e tentar ao máximo não transferir o CG para cima do pé. Se a transferência for completa, o balanço que o corpo fará, até conseguir se movimentar na direção desejada, irá demorar muito fazendo a pessoa ficar mais lenta do que a música.

Nas músicas muito rápidas estamos em constante desequilíbrio, porém, é um desequilíbrio controlado.

Postura

Muita confusão é feita neste quesito. A postura é fundamental para expressar bem o corpo de dança nas músicas rápidas. Um tronco bem alinhado com a cabeça erguida com os ombros dinâmicos e ativos (Isso mesmo, nem sempre os ombros precisam estar encaixados, e as escapulas nem sempre precisam estar sob tensão.). Uma boa postura permite que o corpo se movimente pelo espaço como um bloco único, aumentando a eficiência dos deslocamentos e dos giros.

Um erro muito comum, porém, é achar que uma boa postura conta com os joelhos esticados. Muitas pessoas associam uma postura altiva ao fato dos joelhos estarem estendidos, principalmente quem tem a influencia estética de danças mais clássicas como o balé por exemplo. Os joelhos ligeiramente flexionados são fundamentais para a estabilidade, controle e para a tração que a perna gera com o chão. Pernas esticadas impossibilitam uma mobilidade ágil pois é como se estivéssemos andando em uma perna de pau. Com as pernas esticadas perdemos a habilidade de escolher a hora exata e a localização exata em que o pé vai tocar o chão e o processo de transferência de peso completa descrita mais acima passa a acontecer com  muito mais frequência.

Dinâmica Energética

Para otimizar a dinâmica energética o fator mais importante é observar a amplitude dos movimentos, tanto dos movimentos isolados do corpo  quanto do tamanho das pisadas e, consequentemente, dos deslocamentos da dança.

Observe que amplitudes muito curtas permitem que você finalize os movimentos com uma grande antecedência ou então exigem muito menos esforço. Para quem vê de fora parece que os dançarinos estão menos dinâmicos e menos ágeis, pois no caso de terminar os movimentos com antecedência, existe uma espera para começar a próxima movimentação. No caso de usar menos energia os movimentos se valem de menos potência de menos velocidade.

Quando utilizamos amplitudes muito grandes a dinâmica e a agilidade da dança também se perdem. Neste caso por atrasarmos as movimentações ou então por exaustão. Quando usamos movimentos muito grandes as velocidades ficam muito altas bem como a inercia dos corpos fica mais difícil de ser vencida para trocar de direção. As musicas muito rápidas dançadas em alta velocidade com movimentos amplos, quase sempre demandam uma energia anaeróbica do nosso corpo, em palavras bem simplificadas é uma demanda energética que o nosso corpo não consegue sustentar por muito tempo a não ser que tenhamos uma capacidade aeróbica fora do comum, encontrada em alguns raros atletas de alto rendimento.

Não se engane, a resposta também não está em dançar 100% da músicas em uma amplitude mediana. Normalmente as respostas se encontram no equilíbrio entre as partes. uma boa divisão é dançar 50% da música com movimentos medianos 25% da música com movimentos amplos, são os momentos que chamamos de explosão e os 25% restante da música utilizamos as movimentações curtas pra poder facilitar transições em momentos de pequenas falhas e também pra recuperar um pouco do fôlego em momentos em que a música se encontra mais calma. Essa proporção é apenas uma vaga ideia, pois estamos tratando de musicalidade, então as alterações do clima, da vibe da música irão ditar com mais propriedade os momentos calmos, regulares e agitados.

Contagem Das Marcações

Várias danças possuem contagens diferentes para a marcação dos movimentos. O forró universitário, por exemplo, possui movimentações de 3, 5 e 7 pisadas em sua estrutura básica. West Coast Swing  e o Lindy Hop, por sua vez, possuem contagens de 6 tempos ou de 8 tempos. O Tango e o Samba variam com frequência as movimentações em tempo e em contratempo.

Para todos estes casos é interessante pensar em um bom equilíbrio entre as marcações das movimentações, os passinhos com mais pisadas no forró aparentam ser mais rápidos, porém varias destas movimentações em sequência deixam a dança lenta, reduzem a frequência das trocas de direção. No Lindy e no West as movimentações de 6 tempos são mais dinâmicas pois aumenta a quantidade de contratempos porém as frases musicais tem 32 tempos. Fazendo as contas, 32 não divide por 6 então ao fazermos só movimentações de 6 pisadas perderemos várias trocas de frase.

Outra observação importante para essa variações é a falta de aceleração o de frenagem. Quando estamos em uma velocidade constante, mesmo que seja uma velocidade alta nós nos acostumamos com aquele estado. Então pequenas pausas e frenagens são importantes para que os momentos de alta velocidade sejam magnificados pela aceleração até chegar a elas.

Braços

Os braços são estruturas super importantes na musicalidade. São as estruturas que conseguem alcançar o mundo com mais facilidade. Na comunicação não verbal são as partes do corpo que são usadas para chamar a atenção para você.

Procure lembrar que os braços são separados das pernas, ou seja, eles não tem função de marcação, portanto a pausa não existe para eles. Os braços se movem de forma contínua mas suas movimentações possuem um começo um meio e um fim.

Os braços são também a estrutura que atingem as maiores velocidades, portanto terão uma grande facilidade em imprimir uma musicalidade para a música rápida pela simples execução adequada dos movimentos. As movimentações abruptas com o mesmo não irão permitir uma reação a tempo adequado, por parte do conduzido. Mover o braço na maior velocidade que você consegue não é a resposta para a agilidade e nem para uma percepção adequada de uma música rápida. Entenda, portanto, que uma boa comunicação do braço se dá, de forma leve e rápida, quando as movimentações tendem a ser mais contínuas. As movimentações abruptas dos braços, normalmente exigem que uma pessoa carregue a outra, e este é um cenário possível, porem não é o cenário ideal.

Rosto

Lembre-se que estamos em um universo de comunicação não verbal. A expressão facial que você faz, muda completamente a percepção da musicalidade. Dançar músicas muito rápidas exige muito da nossa concentração, portanto tendemos a fechar a cara. Acontece que as músicas rápidas tem a tendencia de serem mais alegres e mais vivas, ou seja, não combinam com um semblante serrado.

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