Contato Na Dança A Dois. Enxergando Sem Os Olhos.

Ninguém tem dúvidas que o contato na dança a dois é um recurso muito importante. O que eu noto muitas vezes, porém, é que muitos professores e alunos usam este termo de uma forma muito geral. Falta melhorar o contato aí! Seu contato está ruim! Tal pessoa tem um bom contato no passo básico!

Ficam sempre de fora dos comentários, infelizmente, as nossas perguntinhas mais simples: Contato Onde? Como? Pra Quê?

Para responder o ONDE eu irei separar o corpo em partes estratégicas e responder as outras 2 preguntas para cada uma dessas partes!

Regra de ouro do contato e linhas gerais

Conduzido, todo ponto de contato que o encontrar, lute para não desfazê-lo. O contato só se encerra quando o condutor claramente o abandona ou quando não for mais possível que ele se estabeleça.

Como toda regra, existem exceções, mas essa premissa já vai resolver grande parte dos problemas com o contato.

O contato é sempre uma reciprocidade, muitos falam de fazer uma força oposta à força do par. Vale lembrar que a palavra força nem sempre quer dizer uma grande força, existem forças pequenas, que são suaves, agradáveis e gentis sem deixar de serem forças.

Eu gosto de pensar que um contato bem feito é aquele que dá uma afundadinha na pele até encontrar um músculo ou uma outra estrutura sem fazer pressão nessa estrutura encontrada.

COXAS

Pra quê? A coxas são a parte da conexão entre os corpos que darão referência para que o conduzido encontre o local em que os pés do condutor irá pisar. Mas porquê não usamos o contato entre os pés para isso? É muito mais complicado manter o contato dos pés o tempo todo, os pés são o ponto mais afastado da alavanca do quadril por tanto é o ponto que possui as variações de posicionamento mais abruptas. Isso torna a tarefa de manter os pés constantemente em contato, muito difícil.

é importante pisar sempre próximo ao pé do par para que as duas pessoas se locomovam como se fossem apenas uma. Se os pés ficarem muito afastados os eixos de rotação de cada corpo ficam muito afastados dificultando os giros juntos, o alcance de cada pisada também fica muito diferente limitando as possibilidades dos deslocamentos lineares.

As pernas também são muito importantes para produzir as sacadas.

Como? Como na maioria das danças as pernas ficam intercaladas no passo básico e nas movimentações fechadas, a tendência de uma pessoa tentar conectar suas duas pernas com apenas uma perna do par, é grande. Não faça isso, cada perna entra em contato com apenas uma perna. De forma que a coxa direita se conecta pela parte externa e a coxa esquerda se conecta pela parte interna. As coxas se conectam com mais facilidade quando os joelhos estão ligeiramente flexionados . A tentativa é de fazer uma pressão leve e constante de forma que se o condutor pisar pra frente, automaticamente “empurra” a coxa do conduzido sem pancadas. Se o condutor andar pra trás, o alívio da pressão dá um sinal fácil de ser identificado pelo conduzido agir e seguir prontamente antes que o contato se desfaça. Isso acontece de forma igual para as movimentações laterais.

No caso das sacadas de pernas é muito importante tentar produzir um contato e uma pressão através das coxas (macias). Joelho e canela provocam um contato quase sempre doloroso. É interessante pensar em posicionar a perna antes de fazer a trasnferência de peso no caso das sacadas com transferência.

Observe que as coxas indicam a posição do pé, mas não indicam transferência de peso.
Bora entender qual contato faz esta indicação!

QUADRIL

Pra que? O quadril é a parte do corpo que vai indicar e coletar a informação sobre a transferência de peso devido a sua dupla proximidade, com os apoios (pernas) e com os centro de gravidade. Para maior clareza leia : Equilíbrio e Transferência De Peso! Como Melhorar Sua Dança Toda De Uma Só Vez!

Pelo quadril também conseguimos detectar importantes giros do corpo, principalmente as engrenagens utilizadas para fazer as caminhadas e alguns xique-xiques, muitas pessoas conduzem as caminhadas e xique xiques através dos braços, eu particularmente acho mais interessante utilizar o quadril para esses movimentos, primeiro pois é a poisção do quadril que determina pra onde as pernas terão mais conforto pra pisar, então primeiro viramos o quadril e depois andamos pra fazer as caminhadas, por exemplo.

No caso do xique-xique, por se tratar de um movimento específico do quadril, nenhuma outra estrutura conseguirá deixar a condução tão clara quanto o próprio quadril.

Como? O quadril deve estar em posição neutra, bumbum muito empinado afasta o quadril do par, quadril jogado para a frente é muito invasivo. Portanto deixamos o quadril em uma posição neutra de forma que ao estarmos de frente para o par o contato seja principalmente da parte inferior da barriga e não da pelve propriamente dita, ao fazer as caminhadas e xique-xiques devemos ter uma sensação de engrenagem, o quadril vira sem perder o contato até que a pressão (sempre leve) passe para a lateral do quadril.

É importante ressaltar que conseguimos movimentar o quadril sem movimentar as demais parte do corpo, então nem sempre que o quadril vira, os ombros viram junto, e nem os pés deslizam no chão. O xique-xique é um caso de movimento independento do quadril. Muitas movimentações do forró estilo roots, do samba e do tango utilizam essa estratégia de virar o quadril sozinho ou então virar o quadril antes do restante do corpo.

TRONCO COM TRONCO

Pra que? O contato dos troncos é um contato mais de referencia e menos de ação. Claro que podemos conduzir e fazer leitutas de movimentos, principalmente de ondas, ou então de deslocamentos do corpo como um todo, porém muitas ondas são conduzidas pelo braço, e muitos deslocamentos são conduzidos por pernas e quadris.

Como? O troco é a porção do corpo em que tentamos manter virada para o par o máximo de tempo possível, muitas movimentações independentes de pernas e de quadril contam com o contato do tronco para manter os corpos em comunicação e em sincronia. Assim como comentamos acima, o quadril pode acabar virando sozinho e pode até acabar se afastando para que as pernas tenham espaço para se movimentarem sem se embolar com as pernas do par, em muitos destes momentos o tronco permanece conectado e de frente um para o outro. Desta forma os corpos mantém a relação que possuem e sabem para onde voltar quando a movimentação for encerrada.

BRAÇO COM TRONCO

Pra que? Esta é a combinação mais erroneamente supervalorizada por grande parte dos dançarinos, principalmente os iniciantes e intermediários. Os braços em contato com o tronco também tem função de fornecer referência e de determinar a distância necessária para se desenvolver uma movimentação, ou então para determinar a distância mínima necessária para garantir o conforto físico e mental das pessoas que não se sentem à vontade ao aproximar-se demais do par.

Os braços conduzem grande parte das ondulações exigidas do tronco e transmitem ao par a energia que um corpo quer passar ao outro. Na condução de ondulações e giros por exemplo os braços não devem sempre realizar a condução no tronco. Sempre que possível o ideal é que os braços sejam apenas a ponte de conexão entre um troco e o outro, para que um tronco consiga passar a informação para o outro tronco.

Em alguns estilos de dança essa conexão é muito importante para auxiliar na condução de viradas do corpo do conduzido, ajudam a orientar o corpo que retorna de uma torção, podem também conduzir alguns deslocamentos e indicar movimentos diversos de pescoço e cabeça.

Qual é o problema desta vasta gama de possibilidades?

Nós somos muito braçais e visuais, ou seja, para nós tudo que pode ser feito com o braço e tudo que pode ser visto tem a nossa clara preferencia. Só que para a comunicação de um corpo com o outro a correspondência de estruturas torna tudo mais bem feito, e mais confortável também. Corresponder a estrutura é usar uma parte do seu corpo para conduzir a mesma parte do corpo do par, então se eu quero que conduzir uma caminhada a melhor ação é andar ao invés de manipular e empurrar utilizando os braços.

Pense bem, o meu quadril tem as mesmas articulações, mesmo tipo de mobilidade, mesmos ossos… do quadril do meu par, o meu quadril é quem melhor entende do quadril do meu par. O nosso braço, vendo por outra perspectiva, consegue fazer movimentos com uma velocidade altíssima se comparada ao nosso tronco, então ao utilizar o braço eu tenho que desprender uma enorme concentração para poder fazer as movimentações rápidas do braço se conterem para atender à velocidade que o tronco pode atingir. Ao utiliza o troco para conduzir o troco, minha preocupação passa a ser apenas em executar o movimento desejado. Desta forma, inclusive, temos uma maior ideia de dois corpos que dançam e não um que comanda e outro que dança.

Como? A primeira ideia é a do abraço. Primeiro entramos em contato com o troco e assim que este contato estiver estabelecido os nossos braços abraçam as costas do par de maneira que o par caiba exatamente entre você o seu braço, sem aliviar e sem pressionar, como se estivéssemos passando um gesso ao redor do par. E assim como o gesso deixamos o braço firme (sem grandes esforços, não é pra ficar travado) e bem conectado ao meu próprio corpo. Assim toda vez que o meu par se desloca para trás eu percebo que a pressão no meu braço aumenta um pouco assim eu consigo me deslocar prontamente sem me afastar. Esse tipo de conexão é muito importante durante os giros abraçados, pois ao girar os corpos são expulsos do centro (força centrífuga), então os braços oferecem resistência para não deixar que os corpos se afastem demais, essa resistência ajuda muito para que cada um contribua com o giro do par, e quando os dois a fazem, ninguém tem a impressão de estar carregando a outra pessoa.

Nas danças em que o abraço não se dá de forma muito próxima, assim que os braços tomam suas posições há um “congelamento”, uma maior firmeza no contato o que ajuda as rápidas transmissões de energia e também ajuda na manutenção da postura.

Para todos os outros comandos com o braço, é interessante entender as possibilidades de movimento que o troco possui para que o braço não exija do troco algo que o tronco não é capaz de executar. Como dito antes o braço se move muito mais rapidamente do que o tronco, portanto precisamos sempre suavizar nossas conduções e pressões para não sermos muito agressivos.

MÃOS

Para que? O contato das mãos é responsável por grande parte dos desenhos feitos pelos braços e AUXILIAM inúmeras conduções, principalmente da dança aberta. Repare que eu disse AUXILIAM, pois, mais uma vez bato na tecla, os braços não são responsáveis por executar todas as conduções, eles ajudam muito na orientação do corpo e na confirmação dos caminhos a serem tomados mas não são eles que fazem todo o trabalho.

Como? De maneira bem simplificada, ofereça a maior parte da sua mão que for possível para o contato acontecer, sem restringir de nenhuma forma a movimentação da mão do par. Não aperte nem utiliza pinças com os dedos. Deixe a mão trocar de posição o quanto for necessário. Mesmo se eu tocar a lateral da minha mão com a parte de trás da mão do meu par, por exemplo. A posição exata é o que menos importa, desde que o contato não se desfaça. As mãos irão fluir e trocar de posição constantemente, acostume-se com essa ideia.

MÃOS COM ANTEBRAÇO

Pra que? Muitas vezes utilizamos o antebraço ao invés das mão para fazer conduções. O principal motivo é reduzir a quantidade de articulações que o conduzido precisa lidar para receber uma condução. São muito utilizados em giros longos e também na condução de movimentações em que o braço irá conduzir uma movimentação da cabeça ou do tronco.

Como? A mão faz uma garra, como se fosse a mão de um personagem de LEGO, de forma que o antebraço do conduzido não consiga sair mas não fique preso e consiga rotacionar livremente o braço. Nos giros o conduzido não deve tentar trocar o contato para as mãos, e nos movimentos em que se conduz a cabeça ou o tronco os conduzidos procuram fazer uma pressão contra a parede interna da garra para auxiliar na conexão do braço com o próprio tronco ao passo que consegue detectar com mais clareza as conduções.

PÉS

Pra que? Sim, existem movimentações em que os pés entram em contato. São três situações mais comuns. Sacadas de pé, arrastadas e travas.

Como? Nas sacadas é preciso tomar muito cuidado com a agressividade e a força. Como já mencionamos antes os pés são a extremidade de uma grande alavanca, portanto atingem velocidades muito altas e são difíceis de controlar. Normalmente a parte interna de um pé saca a parte interna do outro pé.

Nas Arrastadas precisamos primeiro estabelecer um contato claro, a partir do contato os pés funcionam tal como as mãos, aonde um for o outro vai, é muito comum acontecerem apenas arrastadas lineares e curtas porém também é possível fazer elevações e brincar com as possibilidades. É importante observar que uma pequena pressão entre os pés é fundamental para conseguir seguir o par, assim como uma mente aberta.

A ideia das travadas é muito simples apesar de não serem tão fáceis de executar. A pessoa que irá travar o pé da outra deve ter uma boa consciência da trajetória que o pé do par irá fazer, então posiciona o pé como um obstáculo no meio do caminho.

ATENÇÃO

É necessário observar e dominar bem as transferências de peso para que os pés que estejam sendo “manipulados” estejam livre e não tenham que exercer função estrutural de equilíbrio no momento dos contatos.

OBSERVAÇÕES

Com toda a certeza ficaram de fora deste texto algumas combinações de contato corporal e também ficaram faltando citar diversas possibilidades de cada tipo de contato elencado.

Nem todas as danças, tampouco, possuem exatamente as mesmas regras de contato, e nem todas as regras são absolutas, mas tentei abarcar uma quantidade suficiente de possibilidades para te deixar ocupado estudando por um bom tempo!

Qualquer discordância ou informação complementar são super bem vindos!

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