Sensação De Estar Piorando Na Dança! O Melhor Sinal Que Você Pode Ter!

Por muitas vezes em nossa caminhada na dança temos a impressão de não estar evoluindo ou pior, de estarmos piorando. O engraçado é que a sensação de estagnação é algo a se preocupar, porém quando sentimos que estamos piorando é um sinal maravilhoso, desde que saibamos interpretá-lo de uma maneira saudável e tenhamos paciência para colher seus bons frutos num futuro que pode ser breve ou que pode não estar tão próximo assim.

Vem comigo que eu vou te ajudar a entender como você pode ficar tranquilo durante essa fase incômoda da nossa evolução. Se você gostar deste conteúdo, não deixe de compartilhar com seus amigos para que mais pessoas se beneficiem com boas práticas no meio da dança.

APRENDIZADO

Toda atividade coordenativa é antes de tudo um processo neuromuscular. Nosso corpo é uma grande rede elétrica, assim como o sistema de distribuição de energia elétrica do seu país. Nós temos um centro de distribuição de elétrons , um local de comando estratégico que identifica os locais que estão precisando de energia naquele momento e ordena o seu envio (Empresas distribuidoras. Ex: Cemig, Light,CPFL etc…), o nosso cérebro é quem faz essa função no nosso corpo. Para que a energia saia do centro de distribuição e chegue até a sua casa é necessária toda uma fiação que que sai do centro e chega até a sua cidade e mais especificamente na sua casa, os neurônios são os componentes desta rede de fios, os nossos músculos são as cidades e cada fibra muscular é como se fosse uma casa desta cidade.

Toda vez que uma nova cidade precisa de luz é preciso construir uma rede de fios até ela, no nosso corpo essa rede de fios já está construída (já temos neurônios ligando o cérebro aos músculos), porém esta rede pode estar inativa, necessitar de manutenção ou demandar pouca energia. Imagine uma cidade do interior com poucos eletrodomésticos nas casas, os moradores não fazem uso amplo de computadores e a atividade agropecuária não seja mecanizada e utilize métodos rudimentares. Estas cidades são os músculos que usamos pouco, nossa vida sedentária na contemporaneidade não nos estimula, muito menos nos obriga a utilizar toda nossa vasta estrutura muscular com todas as suas espetaculares possibilidades.

Se a população da pequena cidade começasse a comprar e utilizar cada vez mais eletrodomésticos, informatizasse seus centros comerciais e aumentasse as horas noturnas de funcionamento de todos os seus setores, a prefeitura precisaria preparar a rede elétrica desta cidade para que ela consiga suprir a nova demanda energética da população. Quando você aprende movimentos novos, ou técnicas de movimentos novas, você está dizendo ao seu cérebro para ativar e/ou dar manutenção na rede de neurônios (mielinizá-los ou estimular a diferenciação de algumas células em tecido neural), para que os impulsos elétricos enviados pelo próprio cérebro cheguem cada vez mais rápido na fibra muscular ordenando a sua contração. Além disso o cérebro precisa de tempo para aprender a coordenar o envio correto dos impulsos na hora certa para gerar o resultado que nós estamos esperando.

POTENCIAL DE CADA TÉCNICA

Cada técnica (leia: Forró Tem Técnica?? Entenda o Termo Que Muitas Vezes Falamos Sem Saber.) que aprendemos possui um potencial máximo de performance, quando não deslocamos a pisada dois no forró por exemplo, não conseguimos colher tantos benefícios quanto se utilizarmos esta pisada de forma consciente e estrategicamente (Leia:Pisada 2 no forró! A pisada da agilidade e a mais negligenciada.). Ou seja, a quantidade de possibilidades e a eficiência atingida ao deixar a pisada dois no lugar é muito limitada em relação à eficiência e à gama de possibilidades atingidas ao utilizar bem este recurso.

Se me permitem mais uma analogia, algumas técnicas são como a fundação de uma construção que permite aos engenheiros construírem um prédio de 5 andares, enquanto outras técnicas são como uma fundação muito mais elaboradas que permite a construção de um prédio de 10 ou mais andares.

 

SENSAÇÃO DE ESTAR PIORANDO

Já entendemos que nosso cérebro precisa de tempo e prática para assimilar novos movimentos ou novas maneiras de fazer um movimento. Dependendo do grau de complexidade do movimento ou da precisão e refinamento do movimento esse tempo provavelmente será maior. Já entendemos também que as técnicas têm diferentes potenciais.

É muito comum aprendermos técnicas com baixo potencial primeiro por serem de mais fácil assimilação e muitas vezes atingimos o seu potencial máximo. Ao atingirmos o potencial máximo de alguma técnica, vivenciamos uma estagnação e então temos o interesse em aprender técnicas que irão nos levar mais além.

Ao desenvolvermos ou sermos orientados a executar novas técnicas, naturalmente voltamos para os primeiros estágios dessa técnica. O nosso corpo estranha cada execução por não estamos acostumados com aquelas novas sensações, é aí que temos a impressão de estarmos piorando. É possível que nossa desenvoltura realmente esteja temporariamente pior, pois o potencial máximo de uma técnica ou conjunto de técnicas gera uma desenvoltura ao dançar, maior do que a desenvoltura manifestada por estágios iniciais de aprendizado de técnicas com maior potencial.

É como se estivéssemos no quinto andar do nosso primeiro prédio e começássemos a trabalhar na fundação do segundo prédio. O prédio menor já está concluído, porém o prédio mais alto ainda está no estágio inicial de construção. O que precisamos agora é de paciência e persistência pois dentro de alguns dias, semanas ou meses estaremos experienciando uma ascensão a patamares muito maiores do que os que vivenciamos anteriormente. Nosso novo prédio vai atingindo andares cada vez mais altos do que o quinto andar.

Este ciclo de aprendizagem é constante, de forma que se tivermos a sensação de piorar, é de se esperar que em breve sintamos os prazeres da melhora. Naturalmente quanto mais avançado são os dançarinos mais tempo poderá demorar cada transição. Então trabalhar a paciência e a persistência é cada vez mais fundamental ao longo da caminhada. É por isso, também que é extremamente prejudicial aprender a movimentar o corpo sem se preocupar em entender com clareza de detalhes aquilo que você está fazendo.

Chega uma hora que o corpo não consegue desenvolver porque a cabeça não consegue processar tudo o que está acontecendo durante a dança. A dança a dois também tem estratégia, raciocínio lógico e capacidade de interpretar sinais e reagir a situações inesperadas. O dançarino que possui apenas o corpo treinado não consegue lidar de maneira eficiente com aquilo que não foi previsto.

 

E SE A SENSAÇÃO DE ESTAR PIORANDO NÃO PASSAR

Caso a sensação de piora não passe você pode ter escolhido trabalhar uma nova técnica com o potencial inferior à sua técnica anterior. Isto é muito comum nos casos das pessoas que buscam se desenvolver sem orientação ou nos casos das pessoas mal orientadas.

Orientação de qualidade faz muita diferença na sua evolução e no não desperdício do seu tempo e esforço. Treinar por treinar não é a solução, volume de prática sem qualidade e sem consciência pode literalmente nos fazer regredir.

É muito comum alunos de uma boa escola, na vontade de ajudar um colega menos avançado a se desenvolver, compartilharem algo que aprenderam, no momento errado para aquela pessoa, que ainda não está preparada para compreender aquilo. É comum também compartilharem técnicas de baixo potencial. A falta de experiência em saber qual o real potencial da técnica que eles estão ensinando pode acabar prejudicando o desenvolvimento do colega.

Se a sensação não passar procure estudar em fontes confiáveis e consulte bons profissionais e/ou boas escolas.

SENSAÇÃO DE ESTAGNAÇÃO

Esta sim é uma situação mais preocupante. Quando tudo que você faz, parece familiar e seguro, principalmente quando você está em uma aula para aprender algo, é um sinal que você na realidade não está aprendendo nada. Tudo o que é novo gera uma sensação inicial de desconforto, de estranhamento. A ausência desse estranhamento nos dá a impressão que já estamos bons e que conseguimos assimilar rapidamente as novidades, quando na verdade há uma grande possibilidade de você não estar aproveitando de fato a evolução que aquela aula poderia te proporcionar.

A sensação de estagnação mais incomoda é aquela já prevista nos tópicos acima, quando atingimos o potencial máximo do conjunto de técnicas que estamos utilizando para dançar. Não importa o quanto treinemos, se não buscarmos aprimorar a maneira de fazermos cada elemento, estaremos sempre condenados a ter apenas mais do mesmo.

Outra razão de estagnação também já foi prevista, quando corpo e consciência não estão em patamares próximos. Para isso temos duas situações obvias, ambas muito comuns. A primeira é quando o corpo está à frente da consciência, acontece com praticantes sem orientação que apenas saem para dançar (Que fique bem claro que não há nenhum problema em apenas sair para dançar, só não se pode esperar grandes e rápidas evoluções na qualidade técnica da sua dança dessa forma). Acontece também com praticantes das escolas, que não prestam atenção em nada que os professores estão falando. Apenas vão observando os formatos e movimentos apresentados e vão tentando fazer sem se valer das dicas e observações dos profissionais.

A segunda situação é quando a cabeça está além do corpo. Acontece muito em escolas que apenas ensinam as movimentações e não oferecem um tempo apropriado de prática para os alunos. Ou com alunos de escolas que têm uma boa oferta de prática, que se esforçam e se interessam,porém, apenas pela hora da explicação dos movimentos. Haverá um grande acúmulo de informações que não irão  nem sua confirmação nem sua consolidação, pela falta de prática.

CONCLUSÃO

A sensação de estar piorando não é uma grande vilã, é apenas uma parte natural do processo de uma aprendizagem saudável. Para ter a segurança de que estas “pioras” sejam benéficas e para que não tenhamos a sensação de estagnação é fundamental procurarmos orientação qualificada!

Espero que tenham gostado do texto! Este tema foi sugerido por leitores do blog, e sou muito grato pela indicação deste tema que tem relevância constante na caminhada dos dançarinos. Peço para que me ajudem a compartilhar esta matéria e peço também para que me enviem cada vez mais temas sobre os quais vocês gostariam de ler e estudar.

E se precisar de mais informações ou dicas não deixe de entrar em contato! Fica também o convite para você me visitar em uma de minhas  escolas em Belo Horizonte, ou alguma unidade da rede de ensino que me faz cada dia mais realizado, o Pé Descalço (BH, São Paulo, Santo André, Niterói, Juiz de Fora, Contagem e Londres).

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Um comentário sobre “Sensação De Estar Piorando Na Dança! O Melhor Sinal Que Você Pode Ter!

  1. Mais uma vez encantada com suas publicações. Às vezes sentimos uma piora em nossa caminhada. Ainda bem que existe o “reforço” que nos coloca de pé novamente! A piora é um desafio. Não podemos de forma alguma desistir.

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