Pisada 2 no forró! A pisada da agilidade e a mais negligenciada.

Este texto será bem breve e tem o objetivo de ajudar os dançarinos a prestarem atenção em uma das pisadas que normalmente é negligenciada, por grande parte dos dançarinos de forró, principalmente pelo fato de no começo do aprendizado nós utilizarmos a segunda pisada apenas para contemplar o ritmo da música e para isso somente levantamos o pé do chão e o retornamos para o mesmo lugar de onde ele saiu. Dessa forma as únicas pisadas que que voltam para o chão em um lugar diferente de onde saíram são as pisadas 1 e 3.

No forró universitário (em alguns países chamado de forró estilo pé descalço) a troca de lado entre os dançarinos é de extrema importância para que haja fluência na dança e para que consigamos atingir uma maior leveza e eficiência ao dançar musicas cada vez mais rápidas. Saber usar a segunda pisada adequadamente, otimiza muito este processo e faz com que a dança atinja um nível muito mais avançado.

Todas as pisadas têm papel fundamental neste processo porém, infelizmente muitas pessoas não prestam atenção na pisada número 2 e o pior, muitas pessoas não são devidamente orientadas utilizá-la. Muitas vezes pelo fato de os próprios professores não darem o devido valor a esta pisada.

PARA CONDUTORES

A pisada dois do condutor tem uma vasta gama de possibilidades. Na maior parte das marcações temos apenas 3 pisadas para concluir o nosso deslocamento. Em 3 pisadas temos que deixar um espaço claro para o conduzido preencher e já nos posicionarmos da melhor maneira para facilitar o deslocamento das próximas 3 pisadas de acordo com o que planejamos fazer.

Se deixarmos a pisada 2 sempre no mesmo lugar teremos na verdade apenas a pisada 1 e 3 para fazer todo esse processo de preparação e transição. A segunda pisada deve sempre sair do lugar de forma a colaborar com o deslocamento total do movimento e também encurtar a amplitude da terceira pisada. Não há, no entanto, um movimento padrão para esta pisada, cada movimentação vai exigir que o condutor escolha o melhor lugar para posicioná-la.

OBS: É possível sim, que o melhor lugar para pisar seja exatamente o local de onde o pé saiu, porém neste caso esta decisão deve ser consciente e não o fruto de um vício ruim.

PARA CONDUZIDOS

Para os conduzidos é mais fácil saber onde ir, o que não significa que é mais fácil de fazer! A pisada número dois deve sempre ir ESTRITAMENTE na direção do condutor, ou então na direção do espaço por ele indicado. Ao fazer isto temos 3 benefícios muito importantes para o encadeamento dos movimentos e para a eficiência do movimento.

1 – APROXIMAÇÃO

Ao aproximar do condutor, o conduzido permite uma melhor utilização dos braços para desenhar os movimentos, pois quanto mais perto o par estiver uma maior porção do comprimento dos braços pode ser utilizado, princialmente em movimentações em que os dois giram utilizando os dois braços acima da cabeça. Quanto mais longe passamos um do outro, mais fácil será de estender as costas além de um limite confortável e até mesmo saudável. Além do desconforto uma curvatura nas costas no momento do giro atrapalha bastante o equilíbrio durante o movimento.

Percebe-se a pisada 2 bem próxima do condutor

Dançarinos: Luiz Henrique e Luana Kellen

2 – DIRECIONAMENTO

A maior parte dos deslocamentos no forró universitário acontece através da troca de lado entre o par. O caminho mais curto e mais eficiente para que isso aconteça é em uma linha reta. Desta forma o par deve tentar passar o mais perto um do outro possível para que isso aconteça. Ao posicionarmos e pisarmos a pisada dois na direção do nosso par como se fossemos “atravessá-lo no meio” já resulta em uma inércia em direção ao melhor caminho contribuindo na facilidade e na suavidade do giro.

Pisada 2 direcionada para o espaço que foi dado

Dançarinos: Luiz Henrique e Débora Carvalho

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3 – DINÂMICA ENERGÉTICA

Ao pisarmos para frente no dois, utilizamos a nossa musculatura mais potente (como se estivéssemos correndo) para gerar um pico de energia. Quais os benefícios disso? Grande parte dos movimentos possuem 3 pisadas e a terceira pisada é a última antes de fazermos a pausa entre as marcações. Uma pausa ideal é uma pausa com pouca energia para que possamos ter estabilidade. O que normalmente acontece é que a falta de energia nas primeiras pisadas exige um pico de energia no final do movimento para que o deslocamento e o giro aconteçam. Com uma alta energia no final do movimento, o controle e a estabilidade da pausa ficam comprometidas.

Uma pausa sem controle e estabilidade não permite com que o conduzido faça uma boa leitura da próxima movimentação. Além disso, a maior parte dos movimentos inverte o sentido durante a pausa, como assim? Um movimento que vai de norte a sul normalmente é sucedido de um que vai bem próximo de Sul a Norte. Ou seja se não reduzirmos a velocidade no momento da pausa a nossa inércia dificulta a geração de energia para o sentido oposto.

Os dois dançarinos fazendo a pisada 2 bem direcionada para o espaço oferecido. A conduzida claramente gerando o pico de energia a ser utilizada no decorrer do movimento.

Dançarinos: Alice Rodrigues e Breno Baião

Concluindo, ao termos o pico de energia na pisada dois conseguimos aproveitar essa energia para girarmos sem pressa, reduzindo a velocidade gradativamente para que na pausa não tenhamos mais a inércia nos levando para a direção oposta da próxima movimentação. Teremos mais facilidade de nos equilibrar e observar com mais tempo e calma as indicações da próxima condução e poderemos gerar energia na direção certa sem grandes esforços.

TÉCNICA MAIS COMUM, PORÉM INEFICIENTE

É muito comum vermos o conduzido posicionar a pisada dois para o lado pelo fato da dança ter uma característica circular. O problema de pisar ao lado é que perdemos estes três benefícios dificultando um encadeamento mais fluido e complexo.

Olha o efeito dominó: Não geramos uma aproximação adequada, nos colocamos em uma direção cuja a inércia não favorece uma boa troca de lado e deixamos o nosso corpo torcido não aproveitando nossa musculatura mais potente para impulsionar o movimento. Dessa maneira temos que aumentar o esforço durante o giro tendo tempo apenas para acelerar, isso gera uma maior dificuldade de reduzir a velocidade no momento da pausa. Uma pausa cheia de energia dificulta o controle, e o equilíbrio não nos dando tempo nem estabilidade para fazer uma boa leitura da próxima movimentação, além de contribuir para um maior esforço para combater a inércia do final do giro anterior. Além disso o afastamento entre o par durante o giro pode causar um desconforto na coluna e o equilíbrio durante o giro.

CONCLUSÃO

Espero que você tenha percebido que para dançar de forma ágil no forró estilo universitário, é necessário muito mais coordenação do que potencia física. Raramente atingimos a nossa velocidade máxima durante as movimentações porém a troca de direção constante entre as movimentações exige um manejo estratégico da quantidade de energia durante cada movimentação. Precisamos acelerar e frear de forma a utilizar as melhores musculaturas para reduzir o esforço e assim o reduzir o cansaço para conseguirmos dançar até o final sem perda de rendimento.

E se precisar de mais informações ou dicas não deixe de entrar em contato! Fica também o convite para você me visitar em uma de minhas escolas em Belo Horizonte, ou alguma unidade da rede de ensino que me faz cada dia mais realizado, o Pé Descalço (BH, São Paulo, Santo André, Niterói, Juiz de Fora, Contagem e Londres).

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2 comentários sobre “Pisada 2 no forró! A pisada da agilidade e a mais negligenciada.

  1. Oi Raso!!!
    Mais um texto inspirador!
    Tb vou compartilhar minhas percepções: depois que você puxou nossas orelhas outro dia, comecei a me policiar com a pisada 2 e vi bons resultados no meu controle corporal.
    Isso tudo me fez entender o quanto é importante a gente respeitar as etapas de aprendizado.
    Lembrei da época que eu estava aprendendo a dirigir: fiz muuuuitas aulas e passei no exame. Pronto! Sabia a teoria e tinha a noção de como aplicar na prática, mas somente depois de automatizar os movimentos eu me senti livre para soltar mais o carro, conversar com as pessoas enquanto dirijo, etc. Isso é, praticando eu fiquei mais segura no básico para conseguir evoluir e inovar.
    Enfim, (kkk) o link que me veio em mente é que, da mesma forma que aconteceu com a direção, agora eu sinto o básico da dança e consigo perceber um pouco mais esses detalhes importantes que me levam a dançar mais confortável e leve.
    Vejo uma nova etapa no meu aprendizado que abre um leque para mais tentativas com erros e acertos =)

    Parabéns e obrigada pelo interesse em compartilhar um pouquinho da sua vivência!
    Abração

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  2. Pingback: Forró Pé De Serra, Universitário, Roots, Eletrônico. Qual a diferença entre estes estilos? | FORRÓ

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