Como dançar com pessoas de diferentes níveis?

Recebi a encomenda de falar sobre esse assunto de um aluno muito querido BRUNO DAYREL. O Brunão é um aluno exemplar, nunca falta às aulas e ouve as instruções dadas pelos professores com muita atenção e cuidado. Não é atoa que ele está dançando em um nível elevado tanto como condutor como conduzido. Muito Obrigado pela sugestão meu amigo. Este texto também teve a colaboração de Juliane Rosa (Juzinha), a diva do nosso forrozinho.

Se você também tiver um tema que gostara que eu escrevesse sobre, entre em contato que vou fazer o máximo pra per atender seu pedido! Se você está gostando dos textos do blog por favor compartilhe com seus amigos, isso ajuda demais!

Bom vamos lá! Para organizar as ideias tentei fazer uma separação por cenários imaginando diferentes pontos de vista. Os cenários têm o ponto de vista de acordo com o nível do praticante. E ao final coloco uma importante reflexão indispensável à discussão deste tema.

Vale ressaltar que dependendo do local (cidade, país, academia, escola) em que você dança, você pode ser considerado avançado e em outro local ser considerado iniciante ou com pouca desenvoltura.

Cenário 1 – Praticante iniciante e intermediário

Pessoas entre 0 e aproximadamente 1000 horas de prática estruturada e orientada ou qualquer número de anos de prática não estruturada ou orientada. Claro que essa medida em horas nao é absolutamente precisa.

Para estes praticantes é difícil entender quem é realmente avançado e gosto de fazer a separação em 4 tipos de pessoas, era mais ou menos o que eu tinha na cabeça quando comecei. Ao fazer a análise eu não vou considerar pessoas ideais, vou considerar pessoas o mais reais possíveis para que caiba a você, ao se deparar com alguma dessas situações ter o poder de resolver seus desafios independente da ajuda do par.

1 – Dançar com quem sabe menos que eu:

Um desafio animador, com o pouco que sei, tentar ajudar alguém ainda mais inexperiente a se movimentar em harmonia comigo. A grande questão é não exigir de si mesmo que você consiga fazer a outra pessoa dançar.

2 – Dançar com quem sabe o mesmo tanto que eu:

Um desafio mutuo, os dois concentrados para que a dança flua sem muitas paradas inesperadas. o Grau de expectativas deve ser baixo e o praticante tem que se permitir errar e também aceitar o erro do outro. Ficar tentando achar o culpado de cada erro pode ser a pior das práticas. Nenhum dos dois tem uma real idéia do que pode ter levado ao erro e a maioria das vezes o erro não é só de um. As movimentações de ambos ainda interferem muito na qualidade da movimentação do outro.

3 – Dançar com quem sabe mais que eu:

É muito mais um desafio psicológico do que físico. Para um condutor, tudo que você tenta fazer da certo e logo seu repertório acaba e você sente uma falta de capacidade em fazer aquela pessoa se divertir. Muitas vezes esse sentimento pode ser potencializado pela arrogância da pessoa que é mais avançada e se sente superior a você. Não é incomum, infelizmente, essa arrogância se manifestar em expressões faciais de desânimo ou desinteresse.

Para um conduzido tudo parece muito difícil e é complicado entender o que está acontecendo, pois a complexidade é muito maior, erra-se muito mais e também não sabemos se estamos pesados ou se estamos fazendo as coisas direito.

O que fazer então? Tentar manter-se calmo, no caso do condutor lembrar que não precisamos impressionar ninguém e que o básico bem feito é bem melhor do que se atrapalhar com coisas ainda fora do nosso alcance. Para um conduzido é tomar como um desafio e tentar entender que se mais complexidade vem em seu caminho provavelmente significa que o que você está fazendo está correto e conseguindo instigar o seu par a te desafiar mais.

Claro que nem toda dança com quem é mais avançado é assim, muitas pessoas tem a boa noção de respeitar os seus limites e tentar tirar proveito da dança com você da melhor forma de forma que os dois se divirtam.

4 – Dançar com uma pessoa realmente avançada:

São pessoas que já entenderam que são as grandes responsáveis por dar o exemplo de boa convivência, e além disso sabem tirar o melhor proveito de cada dança e vão te ajudar a fazer coisas que nem você sabia que era capaz e você vai compreender que é possível fazer coisas maravilhosas ao dançar.

Há também os momentos em que você vai se sentir completamente perdido porém será como andar por uma cidade acompanhada de um bom guia. Você confia que aquela pessoa está te levando para os caminhos certos. Qual quer erro é rapidamente minimizado e substituído por algo inovador e uma nova chance de acertar se apresenta.

Mas o que fazer? Ora SE JOGUE!!!

Cenário 2 – Praticante De Nível Avançado

Pessoas entre aproximadamente 1000 a 3000 horas de prática estruturada e orientada.

1 – Dançar com iniciantes:

Primeiro de tudo, é uma grande responsabilidade. Os novos membros da comunidade ainda estão vivenciando um turbilhão de experiências novas e tudo que eles vivenciam pode ser decisivo em fazer com que eles se apaixonem pela dança ou fazer com que a deixem.

Como condutor, eu sempre procuro começar dançando de forma bem básica e ir gradativamente aumentando a dificuldade. é importante entender que mesmo que você saiba que a pessoa esteja fazendo tudo certo, ela pode não ter a menor noção de onde ela está. Normalmente ela verbaliza que está perdida ou que esta errando tudo e é sempre importante tranquilizá-la.

É interessante lembrar que nem todo passo maneiro que você sabe precisa estar dentro de todas as suas danças. Nem todo mundo sabe o que é o tempo forte da música e tem gente que ainda está longe de conseguir entrar no ritmo ou alcançar a velocidade de uma música mais acelerada. Permita-se encontrar prazer no simples, nada é obrigatório pra dançar. Saia do ritmo com a pessoa antes de tentar ensiná-la qual seria o “correto”. Deixe-a dançar o que sabe e aos poucos vá fazendo novas sugestões aproveitando a suas potencialidades.

Como conduzido, é um otimo momento para estar presente com a pessoa e mostrar que ela não precisa fazer truques incríveis pra se divertir com você. Normalmente você tem muito espaço pra fazer variações e brincar, pois faca. Isso pode ajudar a pessoa a entender que o conduzido tem sua liberdade e que não é papel só do condutor trazer surpresas e inovações para a dança.

Independente de condutor ou conduzido, sorrir pode fazer qualquer insegurança desaparecer e demonstrar que aquele momento eh um espaço seguro para errar e aprender.

2 – Dançar com intermediários.

Os dançarinos intermediários, são normalmente os mais empolgados. Já sabem fazer vários movimentos e normalmente querem treinar mais e mais para poderem dançar no mesmo nível dos dançarinos que eles admiram.

Na minha opinião o mais importante ao dançar com um intermediário é não fazer corpo mole. Dançar com um avançado é a chance que ele tem de testar seus limites. Ele consegue perceber claramente quando você não está se importando com o enorme esforço que ele está fazendo para fazer as coisas que ele só consegue fazer com pessoas mais experientes e hábeis.

É interessante, de vez em quando, se desdobrar um pouco para fazer com que a pessoa consiga executar algumas movimentações. A pessoa nem vai reparar que você está compensando as movimentações dela, a percepção dela será que é muito mais fácil dançar com você do que com a maioria das pessoas.

Cuidado, Porém, para nao ir além do necessário, você não precisa mostrar pra ninguém o quão melhor você é. A regra de evoluir a complexidade e a dificuldade gradativamente também se aplica perfeitamente neste cenário.

3 – Dançar com quem sabe o mesmo tanto que eu:

Este cenário é bem tranquilo, o par pode se divertir de inúmeras formas, se desafiar ou apenas curtir o momento.

Vale lembrar que a dança é uma conversa amigável e não um debate, cuidado pra não se envolver em uma disputa de quem sabe mais.

Se for um treino, é uma ótima oportunidade pra trabalhar seus pontos fracos. Se for uma ança exporádica com alguém que você tem pouco ou nenhum contato, procurar explorar os pontos fortes um do outro costuma ser a saída mais divertida.

Reflexão

É muito complicado tratar todos esses casos de maneira generalizada. Existem muitas variáveis envolvidas. O quão próximo você é da pessoa com quem está dançando, o que motiva cada pessoa na dança pode variar. Há pessoas que gostam de ser desafiadas o tempo todo e pessoas que não gostam de nenhum tipo de desafio, por exemplo.

As dicas deste texto vão te ajudar a sempre ter boas práticas no salão, mas lembre-se que não existe um manual de certo ou errado. Sua sensibilidade para ler cada situação no momento da dança é sua melhor arma.

Gostaria de destacar também que a maior parte dos desafios estão na nossa cabeça e não no nosso corpo. A nossa capacidade de se desvincular de certas obrigações, de certos preceitos fechados e limitantes é decisiva na hora de saber o que fazer ao dançar com pessoas de diferentes níveis. Sua auto cobrança e suas expectativas idealizadas podem ser os maiores obstáculos que você precisará vencer.

E você tem alguma dica pra comunidade??

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5 comentários sobre “Como dançar com pessoas de diferentes níveis?

  1. Raso, soh uma pequena correção em uma parte do texto (de digitação mesmo) >> Se for uma ança..
    Eu sempre apareço por aqui, e acho que é o unico blog q acompanho ultimamente.. parabéns ae pelo trabalho =)

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