Proposta, Intervenção, Enfeite, Autocondução, Condução Compartilhada! Entenda A Diferença Entre Os Termos Que Estão Na Moda Na Dança De Salão!

Muitas pessoas confundem esses termos por terem significados muito próximos. Mas eles não necessariamente querem dizer a mesma coisa! O objetivo deste texto é deixar clara a diferença entre eles, sem entrar no mérito de qual é melhor que qual. Considerarei apenas as ações dos conduzidos, porém condutores também se beneficiam das informações contidas no texto.

Gostaria de agradecer a contribuição da Juliane Rosa (Juzinha) e do Ítalo Augusto Costa na construção, discussão e conceituação deste texto!

AUTOCONDUÇÃO

É o termo mais universal e mais conhecido dentro da dança de salão. Na grande maioria das vezes ele é usado para destacar um erro do conduzido. Vamos entender porque.

Autocondução é a ação de escolher os próprios movimentos independente das sugestões quem vem do seu parceiro. De uma forma generalista o condutor se autoconduz durante toda a dança e o conduzido movimenta-se em resposta às conduções vindas do condutor. Os momentos em que o conduzido faz um movimento que não foi motivado pela sugestão da condução do seu par chamamos de autocondução e tem um viés negativo.

Essa é a ideia mais corriqueira porém desatualizada. Nem toda autocondução do conduzido é negativa, nem todas elas geram desencontro ou uma falha na comunicação do par. As autoconduções negativas normalmente são decorrentes de uma tentativa de adivinhação da condução que ainda não foi efetivamente dada causando uma resposta inadequada. As autoconduções bem sucedidas são entendidas como intervenções e podem ser uma movimentação autônoma ou uma proposta.

INTERVENÇÕES

Como pudemos observar no último parágrafo as intervenções são os momentos em que o conduzido abdica do papel de fazer leituras e, normalmente motivado pela música, executa movimentos por conta própria. Essas movimentações podem incluir ou não o condutor.

Uma intervenção simples se dá quando o conduzido apenas pede ou toma um espaço para poder fazer sua movimentação autônoma sem necessariamente incluir o condutor no processo. Uma intervenção em que o conduzido toma o espaço e chama a atenção do condutor para que interajam juntos seguindo a lógica sugerida pelo conduzido chamamos de proposta.

PROPOSTA

Já entendemos que a proposta é uma autocondução do conduzido, que intervém na dança quebrando momentaneamente a expectativa de que as sugestões venham do condutor para o conduzido fazendo assim um ligeira troca do fluxo de informações. Os papéis não são trocados, condutor continua condutor e conduzido continua conduzido.

Grande parte das propostas do conduzido se dão de forma energética. Podendo ser de diminuir ou aumentar a intensidade com que se está dançando, diminuir ou aumentar o tamanho dos movimentos, por exemplo. Existem também as propostas em que o conduzido tenta conduzir algo no condutor de forma mecânica bem ao estilo de uma condução tradicional, ou algo bem simples como trocar a mão que está segurando a mão do condutor naquele momento.

Outro tipo de Proposta se dá no momento em que os dois dançarinos estão dançando desconectados fisicamente e o conduzido inicia um tipo de movimento dando a entender que o condutor faça algo seguindo a mesma lógica de movimentação. Pode ser uma quebra de tempo, uma variação nos planos alto, médio e baixo, pode ser algum tipo de ondulação, marcha ou pulso diferenciados e por aí vai. As possibilidades são tantas que não caberiam em um só texto.

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ENFEITE

Os enfeites são movimentações autônomas do conduzido que não interferem na condução. São os movimentos que o conduzido faz nas brechas encontradas. Pode ser um braço que ao girar solto se levanta ou passa a no cabelo, pode ser um pequeno salto, pode ser uma pequena abaixada, uma quebrada de quadril, um elevada de perna, um chute no ar, uma ondulação do corpo… Qualquer coisa, que sua imaginação e a física permitam, que incremente o movimento sem gerar alteração na leitura e na resposta das conduções e sugestões vindas do condutor.

O enfeite não tem que ser bonito nem charmoso. Até porque cada um tem sua própria opinião e seu próprio gosto acerca do que considera bonito ou charmoso. Se alguém fizer algo que você acha feio, aconselho você tentar fazer ao invés de julgar. Ora, se a pessoa fez algo potencialmente feio provavelmente deve ser muito divertido de fazer.

CONDUÇÃO COMPARTILHADA

A condução compartilhada é muito simples de entender. É uma interação entre duas pessoas ou mais pessoas em que não há papéis definidos de condutor e conduzido. Durante todo o tempo as duas (ou mais) pessoas assumem os dois papéis e interagem trocando informações sem que haja a obrigatoriedade de um movimento apresentar um começo e um fim definidos.

Os rumos da dança são completamente abertos e incertos pois a qualquer momento você pode estar propondo uma condução ou seguindo uma. Há, inclusive, momentos em que você conduz algo com uma parte do corpo e é conduzido em outra parte, ou momentos em que há um conflito de conduções em que alguém cede ou então uma pausa em que todos estão à espera de uma condução até que alguém proponha algo.

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DANÇA COM ALTERNÂNCIA DE PAPÉIS

Muitos confundem uma dança com alternância de papéis com uma dança de condução compartilhada. Na alternância de papéis as duas pessoas assumem papel de condutor e conduzido, porém de forma alternada. É Bem definido quem está ou não conduzindo e sendo conduzido em cada momento. Esse tipo de dança pode ter trocas de papéis muito rápidas e acabar tendo momentos ou traços de uma dança de condução compartilhada, porém isso também pode ocorrer nas danças tradicionais nos momentos de propostas e intervenção. Muitos chamam esse momento de incerteza e compartilhamento da condução de contato e improviso ou de forma direta contato improviso.

Gostaria de finalizar este texto dizendo que todas estas formas de dançar são extremamente válidas e prazerosas. Muitos falam que a condução compartilhada é a evolução da dança por ser uma dança mais democrática, e outras pessoas têm a visão de que o conduzido tem papel de menor importante ou de menor peso na dança tradicional. Eu considero isso uma grande bobagem.

O papel de conduzido tradicional é um universo maravilhoso com muitas habilidades a serem desenvolvidas, muitas de extrema dificuldade e com técnicas muito aprimoradas. As pessoas que se aventuram no estudo do conduzido desenvolvem a paciência, a escuta e capacidade de compreensão do outro ao mesmo tempo que evoluem as habilidades de tomada rápida e segura de decisões e de adaptabilidade impressionantes.

Resumo final

Autocondução: mover o corpo de forma a não seguir a condução.

Autocondução negativa: Mover o corpo de forma a não seguir condução por tentar prever da condução.

Intervenção: Autocondução que ignora e/ou inibe a condução SEM CONVIDAR o condutor a participar da movimentação.

Proposta: Autocondução que ignora e/ou inibe a condução do condutor e o CONVIDA a participar da movimentação.

Obs: se o condutor não quiser participar ou não conseguir participar ainda sim foi uma proposta. Quando propomos algo a alguém, a pessoa pode ou não aceitar a proposta.

Enfeite: movimentos autônomos que não inibem nem interferem na condução. Complementa o movimento sem modificar o fluxo tradicional da dança.

Condução compartilhada: ambos são condutor e conduzido ao mesmo tempo o tempo todo.

Dança com alternância de papéis: Cada hora um assume o papel do conduzido e cada hora um assume o papel do condutor. Os papéis vão se alternando ao longo da dança

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